Patrão Neves defende estudo para rentabilizar pesca do Rabilho

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A Comissão Europeia apresentou um novo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, para o período de 2014 a 2020. Trata-se do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e da Pesca (FEAMP), que contribuirá para a realização dos objectivos da reforma da Política Comum das Pescas e ajudará os pescadores no processo de transição para uma pesca sustentável, contribuindo também para a diversificação das economias das comunidades costeiras. Ao abrigo deste fundo prevê-se o investimento de 6,5 milhões de euros.

Para apresentar propostas concretas para o documento, com vista a uma melhor defesa dos interesses dos pescadores açorianos, a eurodeputada Maria Patrão Neves reuniu na tarde da passada sexta-feira, na Horta, com os representantes do sector.

 “Este documento está em aberto neste momento no Parlamento e eu tenho necessariamente de ouvir o sector empenhado nesta área nos Açores para ter a certeza de quais são as suas necessidades, as suas expectativas, os seus interesses, e para que estes venham a ser traduzidos em propostas, que eu vou colocar nesse documento e pelas quais vou lutar”, explicou a eurodeputada.

Além disso, Patrão Neves pretende encontrar uma forma de rentabilizar a pesca do atum, mais concretamente do atum rabilho, que tem um valor comercial bastante elevado, No entender da eurodeputada, este produto tem grande potencial não só no mercado do Japão mas também por toda a Europa, potencial esse que é preciso explorar.

Os representantes do sector afirmam que pesca do rabilho não desperta grande interesse nos pescadores, na medida em que preferem a quantidade à qualidade. Por outro lado, a sua comercialização para os mercados de sushi é quase impossível tendo em conta a actual política de transportes. É que, no caso do sushi, o peixe tem de chegar ao destino em 18 horas, o que é difícil a partir dos Açores. Outra questão prende-se com a forma de pescar e preparar o atum. Os representantes dizem que os pescadores não têm formação para tal. 

No entanto, Patrão Neves defende que “vale a pena fazer alguns estudos” para perceber como é que os Açores podem trabalhar para colocar rabilho no mercado de forma rentável, pois, como frisa os objectivos para o sector passam por “pescar cada vez menos mas ganhar cada vez mais”.

Os pescadores mostram-se também preocupados pelo facto do documento não contemplar as paragens biológicas. Os profissionais entendem que essas paragens são importantes, no entanto defendem que devem ser apoiadas, na medida em que os pescadores não podem parar de pescar.

Sobre este assunto, Patrão Neves garantiu que vai “defender o financiamento para as paragens biológicas”.  

Neste encontro os presentes trocaram também opiniões sobre a renovação da frota nos moldes em que é esta é referida no documento. Para os pescadores, a frota necessita de reajustamentos, mas não precisa de ser toda abatida.

 A aquacultura também foi abordada neste encontro. Patrão Neves defendeu uma avaliação do potencial dos Açores a este nível, na medida em que esta actividade tem um forte investimento europeu. No seu entender, deve ser feito um estudo sobre as zonas para possível implementação da aquacultura, bem como sobre quais as espécies possíveis e de interesse nos mercados, de forma a atrair empresas privadas.

“Temos de avançar rapidamente”, disse, acrescentando que o arquipélago deveria apostar numa aquacultura “de engorda ou repovoamento” de espécies alternativas, como as cracas.

Patrão Neves apelou aos representantes do sector para que apostem na pesca de qualidade e não na pesca de quantidade como forma de garantir a sustentabilidade dos recursos, já que “não haverá pescadores se não tivermos peixe”. Neste contexto, os representantes são unânimes em afirmar que não é fácil mudar as mentalidades dos pescadores.

 

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