Pedrada no Charco IV

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Continuamos a presenciar situações de encarregados de educação que teimosamente querem que os filhos vinguem no futebol nacional. Nada tenho a opor a esse desejo, no entanto estou em crer que o itinerário que preconizam para o jovem atleta, não é de longe nem de perto, o mais vantajoso para quem passa do panorama do futebol regional ao futebol nacional. Na maior parte dos casos os encarregados de educação querem subitamente o atleta ligado a um dos considerados grandes do futebol nacional. Pois bem, entendo que esta “cegueira desmedida” acaba por levar o jovem atleta a uma realidade fortemente dispare daquela a que habitualmente vivia no clube em que estava inserido. Se não vejamos, o campo de recrutamento de atletas para estes Clubes é enorme, e vai muito para além do território nacional, por outro lado como é sabido a actual política desportiva dos grandes do futebol português está muito virada para os resultados no imediato, o que implica a procura/aceitação de atletas que efectivamente estão acima da média, e que mesmo no futebol de formação possam fazer a diferença no inopino.

São alguns os casos no arquipélago, mais concretamente na ilha de São Miguel de atletas que até entraram com facilidade nas camadas jovens dos chamados grandes do futebol nacional, no entanto passado uma ou duas épocas constatamos que todo esse processo acabou por voltar ao ponto de partida. Os atletas regressam à ilha de onde partiram com expectativas defraudadas e consequentemente quiçá situações emocionais de difícil gestão.

No entanto tudo poderia ter um desfecho final mais risonho indo de encontro aos desejos dos encarregados de educação e dos próprios atletas, para tal bastava um pouco mais de humildade e seguir alguns dos exemplos que já assistimos com alguns atletas da região, que optam por dar o passo para o futebol nacional de forma mais ponderada e coerente, escolhendo clubes que lhes proporcionam tempo e espaço para progredirem, refiro-me a clubes como o Sp. Braga, V. Guimarães, Estoril Praia, etc. Aqui, apesar do contexto também ser diferente daquele a que o atleta tem no seu dia-a-dia no clube local, vai encontrar condições mais favoráveis a uma melhor integração competitiva e sucessivamente vai-lhe permitir explanar o seu potencial. 

Após este pequeno passo que irá contribuir para uma evolução competitiva sustentada e uma integração numa nova realidade futebolística, caso o jovem atleta sinta uma harmonia plena com esta nova realidade, estarão as portas abertas para continuar a evoluir e almejar outros voos.

Em suma, evitar ambições desmedidas e precipitadas para que o reverso da medalha não origine decepções e frustrações difíceis de digerir. 

“A gestão do conhecimento é uma nova tentativa para acercar-nos a uma sociedade mais racional”. 

 

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