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Professora Ana Adelina Costa Nunes

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Formada na Escola Normal da Horta com a classificação máxima de 20 valores, D. Ana Adelina Bettencourt da Costa Nunes foi uma mulher de letras e uma apreciada poetisa. 

Nascida na freguesia das Angústias da cidade da Horta a 29 de Novembro de 1892, filha do comerciante Domingos António Bettencourt e de D. Adelina da Glória Bettencourt, ela fez parte do grupo de 23 jovens (sendo 13 do sexo feminino e 10 do masculino) que concluíram o curso do magistério primário em Julho de 1916 e que, no exercício da profissão, iriam marcar várias gerações de crianças e exercer destacada influência nas comunidades que serviram. Antes de frequentar a Escola Normal, D. Ana Adelina, fora discípula da professora e poetisa D. Silvina Furtado de Sousa, com ela aprendendo línguas e música, especialmente piano. Nos programas das audições musicais promovidas por aquela distinta artista e em que actuavam os seus alunos, encontramos a jovem pianista Ana Adelina Bettencourt a interpretar, em 1908, Recueillement (andante religioso op. 58 n.º 12) de F. Thome, em 1909, Nocturne (n.º5), de J. Field e, em 1911, Barcarolle, de Schubert. Em simultâneo, ia aperfeiçoando a sua natural apetência pelas letras, sobretudo pela poesia que, cultivava desde os 11 anos, apesar de só aos 19 haver começado a publicá-la. 

Durante anos exerceu o magistério em diversas localidades faialenses, constituiu família pouco tempo depois da sua formatura casando a 2 de Setembro de 1916 com José Avelar da Costa Nunes, natural da Candelária, ilha do Pico, empregado comercial na firma de J. Peixoto de Ávila e um dos 10 fundadores do Angústias Atlético Club, conjuntamente com João da Cruz Cristiano, Miguel Inácio Cardoso, Jaime Maria Soares de Melo, José Francisco da Câmara, Guilherme Medeiros da Rosa, João Tavares, Francisco Rodrigues de Sousa, Adolfo de Sousa Wenceslau e João Caetano da Rocha.

Para quem consulta os jornais faialenses do século XX, até á década de 70, a professora D. Ana Adelina Costa Nunes é uma presença assídua, muitas vezes requisitada, pois, como assinala o seu colega e amigo Júlio Andrade, “não havia festa ou homenagem a ilustre faialense ou ainda em qualquer manifestação artística ou religiosa que não publicasse uma poesia do seu estro exuberante, senão articulado na prosa agradável a dar o seu concurso, estremando com justiça a pessoa ou coisa a que era dedicada”1.

 

Publicou o primeiro livro, intitulado “Singelos” porque esses “versos singelos”, sinceros e puros, dispersos em quase 200 páginas, foram dedicados ao seu marido, cujo amor e afecto foram a sua permanente e inesgotável fonte de inspiração. São, é ela própria que o confessa, “versos de amor que brotaram espontâneos da imensa ternura que o meu coração te consagra”. Como acentua no prefácio o poeta Osório Goulart, seu professor da Escola Normal, aquele tema predilecto de D. Ana Adelina Costa Nunes “encontrou fecunda inspiração no amor daquele que a desposou e no daqueles que esse amor gerou”. A sua musa, diz ainda aquele conceituado escritor, “duma singeleza cativante refresca-se nos caudais puríssimos dos mais doces afectos do coração humano”. Os 80 poemas de “Singelos” reflectem “a bondade augusta da sua alma sonhadora”, porque “a espiritualidade que rescende dos seus versos é como uma flor divina perfumando o róseo ambiente dum lar venturoso e doce”2, onde toda a vida conjugal e familiar espelhava o luminoso ideal do Amor, por ela assim cantado: “Na terra que pode haver / Mais doce que o Amor? Não sei / Sonho que de luz bordei, / Contigo quero morrer! / Envolta na essência qu’rida / Deste amor que me dá vida”. 

 

Decorreram largos anos até que voltou a editar outros dois livros de poemas, onde reuniu larga compilação de versos que fora publicando na imprensa açoriana e de outros que conservara inéditos. Ambos prefaciados pelo Pe. Júlio da Rosa, intitulam-se “Ao Longo da Jornada” (1975) e “O Meu Livro de Cantigas” (1976).

A “Antologia Poética dos Açores”, coordenada pelo escritor Ruy Galvão de Carvalho, insere alguns poemas constantes dos três livros de D. Ana Adelina Costa Nunes. Assim, do volume “Singelos” as poesias vazadas em quadras: “Escuta”, “Só desejo”, “Pureza”, “Magia” e “Efemeridades”. De “Ao Longo da Jornada”, composta unicamente de sonetos, os seguintes: “O nosso amor”, “Açores”, “Saudades de infância” e ao “Cair da folhagem”. E de “O Meu Livro de Cantigas”, os poemas “Pastora”, “Moinho”, “Dia de chuva”, “A fonte” e “Castelo de Porto Pim”. Apesar de escrito entre os anos de 1923-1925, “O Meu Livro de Cantigas” só foi editado em 1976, após a morte (9.1.1973) do seu “adorado marido” a quem terna e poeticamente o dedica: 

“Há quanto este livro /Escrevi, de alma a cantar, / Sob a doçura infinita /do seu carinhoso olhar! / Mas, hoje, ao lê-lo, ela sangra, / Profundamente ferida / Pela dilacerante perda / de quem me dera luz e vida”.

 

Os dedicados sentimentos e os nobres ideais da alma nostálgica e romântica da professora D. Ana Adelina Costa Nunes, estão retratados naqueles três livros e nas múltiplas páginas dos artigos que, ao longo de toda a vida, deixou dispersos nos jornais faialenses. Escreveu ainda as seguintes peças de teatro: “O maior castigo”, drama em três actos, e as peças infantis “Caridade”, “Flor de humildade”, “Os anos da mamã”, “Ignorância”, “Dois enlaces” e “Os homens não se medem aos palmos”.

 Todas elas ficaram inéditas, bem como o volume de crónicas, intitulado “Cartas a uma amiga”. 

A ela se fica a dever a letra dos hinos das duas mais antigas agremiações desportivas faialenses, por sinal ambos musicados pelo maestro Francisco Xavier Symaria: o do Fayal Sport Club e o do Angústias Atlético Club, de que o seu marido foi um dos fundadores. Também o seu filho José Adelino Bettencourt da Costa Nunes assumiria papel preponderante nos corpos directivos do Atlético e as suas filhas D. Jerónima Adelina Bettencourt da Costa Nunes Fernandes e D. Maria do Carmelo Bettencourt da Costa Nunes Silveira revelar-se-iam apreciadas amadoras teatrais no período áureo do grupo cénico da colectividade alvi-negra.

A professora e poetisa D. Ana Adelina da Costa Nunes faleceu a 6 de Abril de 1977. Tinha 84 anos de idade. 

 

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