Desde há algum tempo que tenho esboçado começar a escrever regularmente. Entretanto, no meio de outros trabalhos, remeti para uma pasta alguns textos já escritos e adiei a ideia para o final deste ano, planeando passar uma temporada no Faial.
Há algumas semanas, a respeito de um comentário meu numa rede social e de uma resposta que suscitou, recebi um convite para começar a escrever para o Tribuna das Ilhas, que desde já agradeço.
Já publiquei textos, esporadicamente, em vários locais, regra geral por sugestão de alguém e sempre relativo a temas específicos, considerados pertinentes no contexto. Escrever com regularidade implica ter conteúdos para transmitir ou caímos no ciclo vicioso de escrever sobre tudo, escrevendo sobretudo sobre coisa nenhuma. Gosto imenso de escrever, mas algo que seja lido por outros deve ter conteúdo, senão será uma perda de tempo para todos.
Foi-me sugerido que escrevesse sobre História. Posso e pretendo fazê-lo. Mas pretendo sobretudo mostrar o modo como a vejo e como ela pode (e deve) estar ao serviço da sociedade. A História é uma das ferramentas que uso para (tentar) compreender o Homem e o Mundo, e defendo que deve ser explorada e estar disponível nessa medida. De nada serve sabermos o passado da nossa terra e deixarmos o nosso património ao abandono, da mesma forma que pouca utilidade tem à sociedade preservar seja o que for se não o souber apreender e compreender.
Depois de uma Licenciatura em História, vários anos de leituras, pesquisas e outras experiências, creio estar em condições de dar um contributo útil para a nossa Ilha.
Pretendo, assim, abordar temas e discussões que ache importantes ou outras re-flexões esporádicas, com o objectivo de dar um contributo real que tenha repercussões. Já o tenho feito, ou tentado fazer, noutras situações, muitas vezes tendo como único resultado ser acusado de impertinência e ter de ouvir comentários pouco simpáticos. É o preço que se paga pela intervenção cívica. Por oposição, parafraseando Platão (428-347 a. C.), “o preço a pagar pela não participação na política é ser governado por quem é inferior”. E se aqui me refiro a alguém em particular, é precisamente à maioria de pessoas que não tem qualquer participação cívica, independentemente da sua posição. Tinha este parágrafo (como quase todo o texto) escrito há quase um mês, incluindo esta citação, que faz ainda mais sentido depois de me ter sido referida há uns dias por um amigo, estudante como eu, na viagem Horta – Lisboa, em que falávamos precisamente destas questões. Eu queixando-me que tínhamos de fazer alguma coisa pelo futuro da nossa terra, ele queixando-se que não temos futuro nela…
Da mesma forma que não gosto de ser referido, não sou adepto de referências pessoais ou institucionais neste tipo de textos, pelo que tentarei não o fazer a não ser que seja estritamente necessário (também já estava escrito, e creio que fica patente no parágrafo acima).
“Posto isto e os actos e as pulgas aos saltos,…”, (meio) dito popular das Angús-tias, hoje praticamente esquecido (deixo a outra metade para outro dia…), que é forma de dizer que já falei demais (e não disse nada…).
Fica a apresentação feita. A próxima, “a sério”, será sobre o tema que já referi.
E espero continuar.
Leia-se:
– Platão, A República, intr., trad. e notas de Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2010.
TS.20.04.15
Em defesa da Língua Portuguesa, o remetente desta mensagem não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional
(para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).












