Terminal Silencioso

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As últimas duas semanas foram muito importantes para o Faial, pelo que se fez e por aquilo que se disse. A inauguração do Terminal Marítimo de passageiros, uma obra de capital público intensivo e expressivo, que vem finalmente dar dignidade ao nível de gare às centenas de milhares de utilizadores, e igualmente relevante pelo potencial que vem criar, não só o seu molhe mas pela libertação de espaço na doca sul, vital para melhorar no futuro as condições de quem o utiliza.

O que se disse são os chavões do presidente do governo na inauguração do Terminal, que “era um ponto de viragem”, e “alteração do modelo de transportes marítimos”; o que proferiu a secretária regional da economia no lançamento de uma embarcação, que “assistimos a uma revolução tranquila na política de transportes”; e finalmente o secretário regional do ambiente na inauguração da Expomar, que o “período de infraestruturação está a chegar ao fim”.

Passo a sintetizar estas três intervenções, que em muito atingem os faialenses, os quais devem refletir sobre as mesmas. 

A do presidente do governo é tão simples quanto isto, a viragem é apenas literal, do molhe sul para o molhe norte, nada mais vira, nada mais a nível económico se altera ou se cria de imediato. Quanto à alteração dos transportes marítimos, já está ditado em decreto da assembleia regional que o Faial deixará de ter toque de navios de Lisboa, passando a sua mercadoria a ser baldeada, quiçá descontentorizada e sabe-se lá que mais.

As palavras da secretária da economia relativas à “revolução silenciosa” referem-se também ao mesmo assunto das plataformas, e é em si extremamente grave para quem está à frente dos executivos no Faial, quer governamentais, quer camarários. O silêncio confunde-se com subserviência, sem discussão, com aceitação tácita, com cordeirismo puro. É muito preocupante a perda de voz, de autoridade, de opinião e de liberdade dos nossos governantes locais, que ficam calados e, direi, de cabecinha baixa.

Como epílogo destas intervenções, a do secretário regional do ambiente e do mar, na qual atira ao fundo e à cara dos faialenses aquilo que eles merecem e mais aquilo que foi prometido, o investimento integrado de toda a baía da Horta, remetendo agora para as calendas gregas o total e merecido reordenamento do Porto da Horta.

Assim, e apesar de ser a maior obra marítima executada em Portugal, têm os faialenses razões para regozijo com o melhoramento, mas de tristeza por tudo o que se disse e não se fez.

Resumidamente, somos tão açorianos como os micaelenses, que tiveram um cais novo, supostamente para os mesmos barcos, com uma cota mais profunda que a nossa, novos espaços de restauração, animação e comércio; o nosso não (nem uma esplanada para a mais bela baía do mundo?!); lá criaram um espaço multiusos, a Horta bem que necessitava de um…; construíram um parque de estacionamento subterrâneo, o da Horta, para além de minúsculo, é ao sol, ao vento e à chuva.

Até na designação somos açorianos de segunda. Ali tiveram umas Portas do Mar; os faialenses nas redes sociais deram vários contributos de nomes a este investimento, mas ele já estava atribuído, pois uma lagartixa não chega a jacaré, e isto é um Terminal Marítimo de passageiros, ponto.

E mesmo o município de Ponta Delgada aproveitou a obra realizada e também investiu, a par do governo regional, valorizando ainda mais o empreendimento; o nosso município o que fez? Nada!

Mas, pior do que isso, fez parte da revolução silenciosa, nunca se opôs quando o projeto mingou pela primeira vez, pois o executado é de menor dimensão do que o apresentado em maquete, em plena campanha eleitoral de 2008, aos faialenses, note-se!

Mais uma vez, a nossa autarquia calou-se e consentiu que se adiasse a segunda fase, não defendendo aquilo que seria justo em virtude da primeira redução, ou seja, que a segunda fase avançasse de imediato.

Por último, apresentou em reunião de câmara um voto de congratulação ao governo regional. Vale a pena perguntar, será que os faialenses merecem isto? Com que credibilidade podem estes autarcas encher e boca, falando de mar, com esta responsabilidade de não terem defendido quem os elegeu?

 

frgvg@me.com

 

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