Verdade ou consequência?

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Dia 1 foi dia das mentiras. É verdade que é mentira que tenha escrito este texto de um sopro só. Durante alguns dias andei maravilhada com as possibilidades da distorção.
Verdade ou consequência é um jogo que salta das festas para a vida. O saldo cai claramente para o lado da consequência, a ver pelos escândalos, pelas verdades que uns dizem ser mentiras, e pelas mentiras que se contam para encapotar a verdade.
É como um número de malabarismo, ao vivo e a cores. Pode ser feito com matracas, bastões, serras elétricas, fogo, tudo e mais alguma coisa. O pior é quando se faz isso com a vida das pessoas, com as frases que saltam para a ribalta e se transformam instantaneamente em sentença consumada. É o poder da informação e mais ainda da contra informação que faz correr rios de tinta, ou melhor rios de “cliques”, diretos e histeria coletiva.
A verdade está para o bem como a mentira para o mal, mesmo que a verdade seja sobre um mal causado sem apelo nem agravo. A mentira, essa, parece ser ágil, contorcionista até, impregnada de uma imaginação fértil, que encobre para destapar, que aparece mesmo para ser vista, que se alimenta e consome de uma necessidade compulsiva e da arte de se mover por entre pingos de chuva.
Visualizemos o número de malabarismo: Os factos seguram-se nas mãos. Atiram-se ao ar e vão-se apanhando um a um, a uma velocidade vertiginosa. Às vezes temos de dar um passo ao lado para apanhar a matraca, mas dado o treino, nada acontece. Funciona como uma mentira branca. É preciso um nível absurdo de concentração e muitos anos de prática. Mas mesmo essa dedicação, no universo das probabilidades, faz com que às vezes uma mentira se “esbardalhe” no chão. E quando isso acontece é a verdade suprema que nos lembra da perna curta da mentira, do tropeço, do desvio, do esconderijo revelado.
Ainda bem que ninguém é perfeito. Seria um aborrecimento. Tem de haver mentiras para que a verdade seja como marcar aquele golo. Tem de haver verdades, para que a mentira arrepie caminho.
Na realidade, o que para uns é verdade para outros é mentira. Vê-se nas relações, vê-se nas campanhas eleitorais, nos debates, e ainda amiúde, nos riquíssimos programas à mesma hora em três canais sobre as verdades e mentiras do futebol. (e olha que muitos sabem que sou fã incondicional da bola).
A verdade é uma consequência de integridade por mais que doa. A mentira é a consequência da fuga à verdade. É como numa pilha. No polo negativo sobram elétrons e no positivo há falta deles. É dessa tensão que nos vem a energia para viver.
O segredo é mesmo ligar um fio condutor de forma adequada aos polos. Produzir corrente mas não se deixar levar por ela. Se há coisa que me irrita é a arte da mentira. Verdade ou consequência é um jogo e eu detesto batota.

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