E ganhou quem ganhou! E perdeu quem perdeu! E todo o mundo saíu vitorioso. Foi bonito. Muito bonito. Afinal a Copa não se resumiu a um pequeno retângulo de terreno, duas redes nos extremos, onze homens dum lado, onze doutro e dois junto às redes dando pontapés numa bola .
Eu, como zerada em futebol, não entendi. Mas apreciei a Copa. Acho que foi um espetáculo fantástico. Não ensaiado, vivido ao natural, onde os espetadores deixaram vir à tona sentimentos que, talvez, nem eles soubessem possuir.
A Copa que eu vivi foi uma Copa com várias nuances. Com alegrias. Com tristezas. Risos. Lágrimas. Gestos bruscos. Agressivos. Abraços de esperança. Beijos de consolo. Adultos sentindo desabar as arestas das coisas. Pedaços de preces em lábios de jovens. Mãos estendidas em súplica ardente. Mãos ao alto em agradecimento profundo. Olhos rasos de água implorando o impossível. Lágrimas caindo, cascatas de dor. Estrela pingando nos olhos, reflexo de vitória. Crianças sofrendo sem saber soprar ventura naquela cena. Adulto silencioso, esquecimento de vocábulos. Velhos olhando a bola buscando tão só o sujeito e o predicado. Mão coçando a cabeça, qual amnésia. Enfim… ali havia tudo… sonhos desfeitos. Sonhos concretizados. Peso do mundo, coroa de espinhos. Alegria sem fim. Era a Copa.
A Copa foi, repito, um espetáculo de se tirar o chapéu. Foi um ver se te avias. Foi o ver e acreditar. O Brasil, o melhor do mundo, fez a ridícula figura que fez. Fez mesmo. Frente à Alemanha pareciam meninos do coro. Ou aqueles meninos do papai que, certinhos, estão sempre prontos a obedecer, a destacar-se pela boa educação que convém: ora faça favor, primeiro o senhor, eu não tenho pressa de enfiar a bola na minha baliza, nem pensar, ainda se fosse na vossa, estejam à vontade, peço desculpa se o salpiquei, foi engasgamento (golo de adversário engasga), corra à frente faz favor, pode esmurrar-me e por aí…
E foi assim delicadamente que o Brasil recebeu de bandeja sete golos. E porquê sete golos? Porque D.ª Dilma estava d´olho. Eu vi. E eles, os brasileiros sabiam que aquela madame era a dama de ferro deles. A generala. E eles nas tintas para os quereres da senhora. Afinal aquela rapaziada que andava ali atrás da porcaria da bola, estava ganhando muita “grana”. Não eram uns favelados quaisquer. Não era intuito deles dar alegrias à discípula de Lula da Silva. E assim D.ª Dilma levou sete golinhos para o Planalto. E eles ficaram na maior.
Agora, os alemães . Porquê sete golos só? Pois é aí que entra a senhora Merkel. Aqueles jogadores, para quem não sabe, foram treinados por ela, que usou uma estratégia saída do forno de Hitler, mas não deu tão certo quanto isso! Ela ainda não tem a escolaridade completa. Mas deu para uso da casa. E muito valeu aquela intimidade dela criada com os indios pataxó.
Não dizem que atrás dum grande homem está sempre uma mulher poderosa? Pois é! Atrás dum campeonato está sempre uma mulher loira, gorda, de fatiota de ver a Deus e à Joana! A futura mulher no comando dos estados unidos da Alemanha. E, que papel será o nosso, então? Sim, porque a santa inquisição, agora seria pera doce!
Mas como disse anteriormente, nesta copa saíram todos vitoriosos. Tal como nas eleições. A Holanda saiu com o seu euromilhões. Os brasileiros do alto do seu quarto lugar, recuperaram. Tanto que no fim torceram pela Alemanha.
No dia doze de julho, após terem perdido o último naco de esperança, vociferaram à laia deles: Pôxa vida! Saco cheio! Uma mêleca! E mais não digo, não convém! E devem ter ido para o boteco empaturrar-se com caipirinhas e coxinhas de frango ou então para a praia com muita música, pouca roupa e viva a alegria! Falo do povão porque os graúdos lá no Planalto devem ter arranjado processos mais interessantes, como aquele de viajar com os reais no cuecão…
Bem, a copa foi-se. Na minha lembrança perduram cenas lindas e por tudo isso valeu a pena. O penteado do Ronaldo. A fatiota nova de D.ª Angela. O rosto radiante de D.ª Dilma, entregando a taça. A franjinha do treinador alemão. O brasileiro ajoelhado, mãos ao alto, talvez agradecendo a Deus o golo recebido. A postura de Scolari, o educado. O regresso de Cristo Redentor ao Corcovado. A bota de ouro a Messi, apesar da polémica, valeu pelo glamour.
Para finalizar diria que sempre esperei pelo regresso de Cristo Reddentor ao Corcovado. Eu sabia (adoro este verbo em vias de extinção) que se Ele não voltasse não mais turistas lá, floresta da Tijuca deserta, um descalabro. E turista é sinónimo de grana. E o Cristo, acalmou-se, desceu ao pedestal , abriu novamente os braços e que se lixe a Copa!
Não posso deixar de referenciar o gesto de David Luís a penitenciar-se publicamente, pelo desaire sofrido. Ajoelhado no campo chorando copiosamente por não ter conseguido dar felicidade aos brasileiros e aos adeptos em geral, aquele menino louro, cabelos encaracolados, chocou- me muito, por ter entendido que no meio daquela barafunda toda havia um coração saudável, na altura em muito sofrimento. A bola entra e sai da rede, mas um coração saudável e educação são bens que perduram pela vida.
Parabéns! Você foi um justo vencedor!
Uma figura marcante daquela Copa. Sempre em nossos corações!











